Os nomes de bebê seguem ondas. Alguns sobem rápido, ficam no topo por uma década e depois somem dos cartórios. Outros desaparecem por meio século e voltam como novidade. Para este guia, comparamos a popularidade aproximada de cada nome da nossa base ao longo das décadas, a partir de rankings do censo do IBGE e de registros de cartório. O que segue são tendências observadas nos registros recentes, não previsões para um ano específico.
🚀 Os nomes que mais cresceram
O padrão mais marcante dos últimos anos é o de nomes que eram raros ou quase inexistentes nos registros dos anos 2000 e hoje estão entre os mais escolhidos.
Entre as meninas, chamam atenção Helena, Alice, Cecília e Aurora. Os quatro já existiam em gerações antigas, passaram décadas com uso baixo e voltaram com muita força. Olívia e Liz também saíram praticamente do zero para posições de destaque.
Entre os meninos, o crescimento recente mais forte aparece em Theo, Ravi, Heitor, Noah e Gael. Miguel, Arthur, Samuel e Davi fizeram um caminho um pouco mais longo: começaram a subir nos anos 2000 e 2010 e hoje estão entre os nomes mais fortes do país.
A lista de nomes em alta reúne esses e outros nomes com crescimento recente.
✂️ Nomes curtos
Uma característica comum a boa parte dos nomes que sobem é o tamanho. Liz, Theo, Ravi, Noah, Gael, Levi, Zoe, Eva, Maya, Ayla, Lara, Ian e Bento têm uma ou duas sílabas. Há algumas explicações prováveis para isso:
- Nomes curtos convivem bem com sobrenomes longos e com a tradição brasileira de usar dois sobrenomes.
- Funcionam como segundo nome em compostos, como Maria Liz e Maria Flor.
- Soam familiares em vários idiomas, o que agrada famílias com parentes fora do Brasil.
- Quase não geram apelido, então a criança é chamada pelo próprio nome.
Veja mais opções na lista de nomes curtos.
🏛️ Nomes de origem grega e mitológica
Os nomes ligados à mitologia ou à Grécia antiga ganharam espaço. Heitor, o herói troiano, é um dos nomes masculinos mais fortes dos registros recentes. Theo, de origem grega e ligado à ideia de divindade, seguiu caminho parecido. Aurora, a deusa romana do amanhecer, saiu de um uso quase nulo para o grupo dos nomes em destaque.
Apollo ainda aparece em números modestos, mas vem crescendo de forma consistente nas últimas décadas. Ísis e Zoe seguem a mesma linha. Sophia, que significa sabedoria em grego, teve seu auge nos anos 2010 e continua bastante usada, embora sem o mesmo ritmo de subida. Conheça outros na lista de nomes mitológicos.
📖 Bíblicos do Antigo Testamento
Os nomes bíblicos nunca saíram de moda no Brasil, mas os dados mostram uma troca interessante. Nomes do Novo Testamento que dominaram os anos 90 e 2000, como Lucas, Matheus e Thiago, estão perdendo espaço. Ao mesmo tempo, sobem nomes do Antigo Testamento: Davi, Samuel, Isaac, Benjamin, Levi e Noah. Entre as meninas, Eloá, Abigail e Ester aparecem com mais frequência do que em qualquer década anterior da nossa série.
👑 João e Maria, sempre
Maria aparece com popularidade máxima em todas as décadas da nossa série, desde os anos 50. João também nunca saiu do topo. O que muda é a forma como eles são usados. Hoje, os dois aparecem cada vez mais como primeira parte de nomes compostos, combinados com um nome em alta: João Miguel, Maria Alice, Maria Cecília, Maria Flor e Maria Liz. Entre os compostos sem João ou Maria, Arthur Miguel e Davi Lucca também estão em crescimento. O guia sobre nomes compostos explica como montar essas combinações.
🕰️ A volta dos nomes antigos
Helena, Alice e Cecília não estão sozinhas. Joaquim, Bento, Vicente, Antônio, Augusto, Ester e Eva também foram usados pelas gerações das bisavós e bisavôs, passaram décadas em baixa e voltaram. Esse movimento é tão forte que ganhou um guia próprio: nomes antigos que voltaram à moda.
🇮🇹 O sotaque italiano
Enzo, Lorenzo, Lucca, Antonella e Valentina mostram uma presença forte de nomes italianos desde os anos 2010. Enzo e Valentina chegaram primeiro e Lorenzo e Antonella vieram logo depois. Nos registros mais recentes, esse grupo segue forte, ainda que alguns já não cresçam no mesmo ritmo.
🌿 Indígenas e natureza
Nomes de origem tupi e nomes ligados à natureza ainda aparecem em números modestos, mas estão presentes e crescendo devagar. Cauã ganhou espaço a partir dos anos 2000. Ceci, Inaiá, Raoni e Rudá passaram a aparecer nas décadas mais recentes. Entre os nomes de natureza, Flor, Jade e Maria Flor seguem a mesma direção. Para quem quer um nome brasileiro e pouco comum, é um caminho interessante.
📉 Quem está saindo de cena
Do outro lado, alguns nomes que marcaram os anos 80 e 90 perdem força. Jéssica, Bruna, Vanessa, Aline, Tatiane, Amanda e Camila foram muito comuns entre as meninas daquela época e hoje aparecem bem menos. Entre os meninos, Kevin, Anderson, Bruno e Diego seguem o mesmo caminho, e Matheus e Lucas, embora ainda usados, estão longe do auge.
Isso não quer dizer que esses nomes estejam "errados" para um bebê de hoje. Quer dizer apenas que soam como nomes de uma geração específica, que hoje está na faixa dos 25 aos 45 anos. Veja como era o cenário na lista de nomes dos anos 90.
🤔 Como usar essas tendências
- Se você quer um nome em alta, saiba que a criança provavelmente vai dividir a sala com outras do mesmo nome. Para muitas famílias, isso não é problema.
- Se você quer algo menos comum, olhe para nomes que estão subindo, mas ainda com uso moderado, como Apollo, Ceci ou Abigail. Ou para nomes clássicos que ainda não voltaram.
- Se você quer um nome que envelheça bem, prefira nomes que já tiveram mais de um ciclo de uso, como Helena, Pedro e Laura. Eles já provaram que funcionam em várias épocas.
Para comparar com os nomes mais usados de todos os tempos, consulte a lista de nomes mais populares.
Perguntas frequentes
De onde vêm os dados de popularidade?
Usamos uma escala aproximada, de 0 a 5 por década, montada a partir de rankings do censo do IBGE e de registros de cartório. Ela mostra a direção de cada nome ao longo do tempo, não a posição exata em um ranking.
Qual será o nome mais registrado no próximo ano?
Não dá para afirmar. O que os registros mostram é quais nomes estão em alta e quais estão subindo. Nomes como Helena, Alice, Theo e João Miguel estão fortes hoje, mas os rankings anuais mudam por pequenas diferenças.
Escolher um nome em alta é uma boa ideia?
Pode ser. O nome em alta é fácil de entender e de escrever. O lado negativo é a repetição na escola. Se isso incomoda, um nome composto ou um nome em crescimento moderado resolve.
Por que tantos nomes curtos estão na moda?
Eles combinam com sobrenomes longos, funcionam bem em compostos, são fáceis de pronunciar em vários idiomas e quase não geram apelidos.